Qualificação do trabalhador e aprimoramento da capacidade de gestão dos empresários são prioridades da nova diretoria do Sindigraf-SP.
As relações de trabalho sempre foram encaradas como conflito de interesses imediatos. Líderes sindicais e patronais costumam reunir-se dois meses por ano para negociar salários e benefícios, em clima nem sempre amistoso. Na gestão de Silvio Isola à frente do Sindigraf-SP, esse escopo limitado foi ampliado, passando a abranger as causas de interesse social e ambiental. Durante três anos, o Sindigraf-SP (Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo) atuou nessas duas frentes, criando oportunidades de educação profissional, por meio de bolsas de estudos e cursos e patrocinando a impressão da única fonte de referência ambiental para a indústria gráfica brasileira, o Guia Ambiental. Foram passos grandes e importantes!
Deve prevalecer, sempre, o entendimento comum sobre o valor do trabalho humano, pois, sem ele, o sistema não funciona. Por isto, no mandato 2004-2007, o Sindigraf-SP terá três vertentes prioritárias: educação, gestão e pressão.
A educação reflete a necessidade, ainda presente, de ampliar a requalificação do chão de fábrica da indústria gráfica paulista. A esta iniciativa denomino trabalho de fazer. Fazer com que o conhecimento acumulado, por exemplo, no centro de excelência Escola Senai Theobaldo De Nigris seja democratizado para boa parte dos 90 mil trabalhadores do Estado de São Paulo, num programa de três anos.
A gestão implica o trabalho de pensar. Todos sabem que a principal preocupação da presente administração da Abigraf Nacional, extensiva ao Sindigraf-SP, é a qualificação do empresário. Sem seu devido preparo, jamais a revolução da inteligência acontecerá em nosso setor. Objetivamente, estamos negociando com o Sebrae um projeto de qualificação do empreendedor gráfico. Nossa prioridade na aplicação de recursos reside na melhoria da qualidade de gestão das gráficas. Aumento do valor agregado, valorização do produto, maior faturamento e lucro, melhores salários e reconhecimento dos clientes são conseqüências esperadas desse investimento.
A pressão é no sentido político, sem temor dos desafios. O setor patronal deve ter influência no processo de reforma sindical e trabalhista, nas mudanças da legislação tributária, na discussão do crescimento econômico, no financiamento e nos juros. Levantaremos a voz sempre que necessário, no sentido de defender a indústria gráfica, sua representatividade e expressão na vida nacional.
Para cumprir todas essas metas, os empresários terão de se reunir mais freqüentemente com os trabalhadores gráficos. Vamos continuar desempenhando a tarefa dos acordos coletivos, mas temos de expandir a agenda para a educação, a questão ambiental e a inclusão social. A cada ano, teremos dois meses de negociação para discordar e dez meses de encontros para concordar.